A entrada da
informática na educação, no Brasil, está ligada diretamente ao ingresso
dos microcomputadores, que ocorreu nos últimos trinta anos,
principalmente no campo da microeletrônica, acarretando inúmeras
transformações. Essas transformações ocorreram em vários setores
econômicos, como indústrias, bancos e telecomunicações, que passaram a
ter como base de seu desenvolvimento a informática.
Os avanços
tecnológicos educacionais começaram na década de 1970, com a
caracterização de dois pontos de vista: um restrito e outro amplo. O
restrito estava limitado ao ensino dirigido apenas à utilização dos
recursos dos microcomputadores no aspecto físico, ou seja, dominar os
equipamentos; já o amplo se enquadrava em uma linha diferente, baseada
no desenvolvimento e na administração dos elementos sistêmicos, ou seja,
na educação concebida como o sistema ou a totalidade de subsistemas
inter-relacionados, em que o papel da tecnologia é apenas colaborar,
fornecendo ferramentas para o auxílio do desenvolvimento de atividades
na educação.
Abaixo, seguem os principais investimentos em educação com tecnologia no país:
• 1981 –
Política de Informática Educativa (PEI), do governo federal, das
secretarias estaduais e municipais de educação e das universidades, a
fim de inserir o computador no processo ensino-aprendizagem.
• 1982 –
Centro de Informática Educativa do MEC – CENIFOR, subordinado à
Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa, seu papel era assegurar a
pesquisa, o desenvolvimento, a aplicação e a generalização do uso da
informática no processo de ensino-aprendizagem em todos os níveis e
modalidades.
• 1983 – Comissão Especial de
Informática na Educação (CE/IE), que elaborou e aprovou o projeto Educom
– Educação com computadores, ficando a cargo da FUNTEVÊ, apoiado
financeiramente pela Secretaria Especial de Informática (Seinf-MEC),
pelo CNPq e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
• 1985 –
I Plano Setorial: Educação e Informática, prevendo ações nos segmentos
de ensino e pesquisa relacionadas ao uso e aplicação da informática na
educação.
• 1986 – Comitê Assessor de Informática na
Educação de Primeiro e Segundo Graus – CAIE/SEPS, aprovou-se o programa
de ação imediata em informática na educação.
• 1988 –
Realizou-se o III Concurso Nacional de Software Educacional Brasileiro,
e a Organização dos Estados Americanos (OEA) convidou o MEC-Brasil para
avaliar o programa de informática aplicada à educação básica do México.
O resultado foi um projeto multinacional de cooperação técnica e
financeira integrado por sete países (Argentina, Brasil, Chile,
Colômbia, Costa Rica, República Dominicana e Venezuela), com o objetivo
de utilizar as redes telemáticas para a formação de professores,
investigadores, administradores escolares e membros da comunidade, para
auxiliar a implantação da informática na educação e a promoção de
mudanças na escola pública.
• 1989 – Jornada de
Trabalho Latino-Americano de Informática na Educação e Reunião Técnica
de Coordenação de Projetos em Informática na Educação; a Unicamp avançou
implantando o II Curso de Especialização em Informática na Educação –
Projeto Formar II. Outro fator importante foi que o Conselho Nacional de
Informática e Automação (CONIN) alterou a redação do II Plano Nacional
de Informática e Automação, introduzindo ações de informática na
educação, implantando núcleos de informática em educação nas
instituições de ensino superior, secretarias de educação e escolas
técnicas, no sentido de criar ambientes informatizados para atendimento à
clientela de primeiro, segundo e terceiro graus, educação especial e
ensino técnico, para o desenvolvimento de pesquisa e formação de
recursos humanos; instituiu-se o Proninfe (Programa Nacional de
Informática na Educação).
• 1991 – Aprovado o 1º
Plano de Ação Integrada (Planinfe), para desenvolver nos anos de 1991 a
1993 um plano de ação integrada com objetivos, metas e atividades para o
setor da informática educativa; criou-se o Comitê Assessor de
Informática Educativa.
• 1996 – Foi criada a
Secretaria de Educação a Distância – SEED, e também foi apresentado o
documento básico “Programa Informática na Educação”, tendo como função
básica promover o uso da informática como ferramenta de enriquecimento
pedagógico no ensino público médio.
• 2000 – Projeto
Rede Telemática para Formação de Educadores a Distância. O projeto
formava professores, administradores, pesquisadores e membros das
comunidades escolares em informática na educação, analisando, estudando e
programando as mudanças pedagógicas e de gestão da escola, integrando a
comunidade e a escola, envolvendo e formando continuamente os seus
integrantes.
• 2010 – O governo federal instalou 6,6
mil telecentros em 5,4 mil cidades brasileiras. Os telecentros são
dotados de dez computadores, servidor central, central de monitoramento,
impressora, mobiliário e conexão internet.
• 2010 –
Parcialmente, o Estado de São Paulo promoveu a inclusão digital
implementando 519 postos do Acessa São Paulo, atendendo a 464 municípios
paulistas. Também foi criado o programa Acessa Escola em 3.752 escolas
da rede pública estadual. Esse programa tem um diferencial ao utilizar
estagiários, cerca de 13.086, que serão os responsáveis pelo atendimento
aos alunos nas salas de informática, que permanecem abertas o dia todo.
Atualmente, o
MEC tem procurado, através de seus projetos, fundamentar nas escolas um
enorme potencial didático-pedagógico, ampliando oportunidades onde os
recursos são escassos, familiarizando o cidadão com a tecnologia que
está em seu cotidiano, dando respostas flexíveis e personalizadas para
pessoas que exigem diversidade maior de tipos de educação.
Outro fator é a
criação de espaços educacionais que promovam a formação e o
conhecimento em informática educativa, motivando os profissionais e
alunos para aprender continuamente, em qualquer estágio de suas vidas.
Agora com a
entrada das redes sociais , novos caminhos e novos rumos estão sendo
tomados na interpretação e mediação desta poderosa ferramenta de apoio
ao aprendizado.